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Desde Lílian Ramos, cuja perereca foi fotografada lépida e faceira ao lado de Itamar Franco, em 1994, uma mini-saia não provocava tanto rebuliço. Até o fechamento dessa edição o reitor da UNIBAN ainda não tinha decidido se revogava sua decisão de voltar atrás na não-expulsão da aluna apedrejada.
Em sua coluna n'O Globo, Ricardo Noblat pergunta: "É crível que Geisy tivesse o costume de rebolar na rampa da universidade usando roupas tão indiscretas que permitiam a exposição das suas partes íntimas?" Para o colunista a resposta é não. Mas se tirarmos Geisy da berlinda - até porque não a conheço - e pensando em qualquer outra moça, para mim a resposta é sim.
Rebolar na rampa e mostrar a calcinha é obrigatório na programação dominical da TV, desde as Chacretes até as Dançarinas do Faustão passando, é claro, pela Banheira do Gugu. As meninas que não fazem isso nos bailes funk arriscam ser elas as expulsas. Crianças de sete ou oito anos dançam na boquinha da garrafa, aplaudidas por seus pais. Adolescentes recém-entradas na puberdade têm gestos e trejeitos de adultas, sensuais ou vulgares, dependendo de quem vê.
Se para você isso é normal, então aplaudamos a moça da UNIBAN, porque ela talvez seja apenas a personificação do modo como as jovens se comportam hoje. Um verdadeiro exemplo nacional, orgulho do país, modelo a ser observado e seguido.
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Mas para seus colegas de Universidade, esse não era o caso. Geisy havia extrapolado e seus trajes ofendiam suas pudicas mentes, escandalizavam seus puros corações, denegriam suas imaculadas imagens.
Era preciso apedrejá-la. E, como todos estavam em dia com suas obrigações cristãs (ou evangélicas, whatever) e em paz com suas consciências, tinham o direito de fazê-lo. E o fizeram.
Eis então que, não menos do que de repente, a coisa chega ao YouTube, toma proporções dramáticas e foge ao controle: a menina é expulsa da escola. Inconformados, os mesmos alunos fazem uma manifestação em desagravo à moça.
Mordem num dia e assopram no seguinte. Fiéis como cachorro sem faro e munidos da estupenda memória de peixinho dourado, os apedrejadores correm em socorro da sua vítima.
Vídeo colocado pelo autor do blog:
A sociedade, bovina como sempre, pergunta quem está ganhando para poder torcer a favor. A moça - a coitada da história - jamais poderia ter imaginado que estudar na UNIBAN a levaria tão longe. Agora ela consulta seus advogados para saber como agir.
Enquanto agradece ao reitor pela repentina fama, deve negociar a capa onde exibirá o pouco que ainda não foi mostrado (num ensaio no próprio campus, óbvio), enquanto o controle de qualidade cochila.
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Claro que eu não defendo o que fizeram com a Geisy - embora eu não ache que o que aconteceu a ela seja resultado somente do vestido curto.
Certamente ela e outras alunas já devem ter ido às aulas com bem menos pano. Algo mais deve ter acontecido e serviu de estopim para o linchamento. Uma multidão unida numa ignorante unanimidade perseguindo-a até que saísse escoltada por um jaleco. Estranhamente, não há um Boletim de Ocorrência narrando o fato.
Como sempre, a culpa é da vítima
O que acho patético nessa história toda é a hipocrisia dos que apedrejam. Marmanjos que incentivam a baixaria e periguetes que se submetem a ela compunham uma mesma horda que, mais uma vez, só vê pecado no outro.
E o reitor, coitado, que sempre zelou pelo bom nome da sua instituição, fazendo com que fosse sempre uma das mais reconhecidas e citadas nos meios acadêmicos e profissionais, trocou os pés pelas coxas.
Baniu a menina. Assinou embaixo o apedrejamento, confirmou o preconceito, institucionalizou a hipocrisia.
O problema - para ele - é que tomar a atitude certa significava expulsar 700 mensalidades em vez de uma só.
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Se a moça vestisse aquela roupa numa empresa e fosse demitida por isso, alguém ficaria escandalizado? Haveria todo esse clamor popular defendendo a jovem? Duvido. E se ela houvesse sido sumariamente expulsa da faculdade, sem que houvesse toda aquela presepada, alguém ficaria sabendo? Duvido novamente. Alguém chamaria uma ONG? Neca.
É muito bonito que defendem a moça. Só que estão defendendo do dragão errado. E para não dizerem que trato o assunto sem a devida seriedade, coloco abaixo um vídeo emblemático, bastante apropriado para ilustrar povos hipócritas.
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